Bossa Nova completa 50 anos
Era uma vez um grupo de jovens artistas em busca de uma dentidade musical. Casualmente, eles se reuniam nos apartamentos de amigos que moravam, em sua maioria, na Zona Sul carioca. As letras e notas sussurradas madrugada a dentro deram o Tom do movimento musical brasileiro de maior repercussão internacional desde o final da década de 50, a Bossa Nova.
Em 2008, o movimento completou 50 anos e tem diversos motivos para comemorar. Além de ter sido tombado pela prefeitura do Rio de Janeiro como patrimônio cultural da cidade no fim de 2007, a Bossa Nova também recebeu diversas homenagens mundo a fora pelo seu cinquentenário.
Considerado como o único ritmo genuinamente brasileiro, esse gênero musical foi registrado pela primeira vez no dia 25 de janeiro de 1958 com a gravação de Canção do Amor Demais, na voz de Elizete Cardoso, com poesia de Vinicius de Moraes, regência de Tom Jobim e, no violão, o mestre-da-Bossa João Gilberto.
Dentre os principais participantes do movimento, estavam alguns dos novos compositores da época como Billy Blanco, Carlos Lyra, Roberto Menescal, João Gilberto, Ronaldo Bôscoli, Sérgio Ricardo, entre outros.
Uma das curiosidades mais interessantes desse movimento é a forma como surgiu essa mansidão inspirada na maresia de Copacabana. Os encontros musicais, geralmente realizados no apartamento da musa-Bossa Nova, Nara Leão, começaram a perturbar a vizinhança por conta do “barulho” feito pelos boêmios músicos. Para amenizar a situação, eles começaram a – literalmente – sussurrar as letras e notas das canções. A sonoridade agradou tanto que se tornou sua principal característica. Outra nuance inconfundível da Bossa Nova é o fato de suas letras primarem por exaltar temas mais leves e otimistas, afirmando sua identidade essencialmente contrária às letras chorosas dos Sambas-Canção que até então eram tidos como vanguarda musical.
Um ótimo exemplo do espírito da Bossa é a composição O Barquinho, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli: Dia de luz, festa de sol, e um barquinho a deslizar, no macio azul do mar (…). Essa canção foi composta à deriva, no mar de Cabo Frio, pois a embarcação na qual estavam, entre outros, Menescal, Bôscoli e Nara Leão, ficou sem bateria e distante da terra firme. Segundo Menescal, “a gente transformava situações ruins em coisas boas e isso era um dom e uma característica da Bossa Nova”.
O termo bossa teve sua primeira “aparição” na música Coisas Nossas, de Noel Rosa: O samba, a prontidão e outras bossas, são nossas coisas(…). A expressão passou a ser utilizada, também, na década seguinte (1940) para definir os ditos “samba de breque”, baseados na arte de improvisar paradas súbitas durante a música para encaixar falas, assim como acorre no Jazz. Porém, foi no final de 1957, em um show no Colégio Israelita Brasileiro (RJ), que o ritmo foi “acidentalmente” batizado. A apresentação dos músicos Carlos Lyra, Roberto Meneschal, Sylvia Telles, entre outros, estava para começar, porém, o grupo ainda não tinha um nome. Como o produtor Luiz Carlos Miéle não sabia como poderia apresentá-los, anunciou uma turma “Bossa Nova”. Não deu outra, o nome caiu no gosto popular e, a partir daí, lançou vários sucessos como Garota de Ipanema, composição de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, uma das canções mais tocadas em todo o mundo.
Bossa Nossa
sussurro no barquinho
que vela o despedir da tarde
com o braile dos dedos nas cordas
amarrando notas com um nó
e com um dó, transforma-as em laços
os braços do vento direcionando o som
ao mais brando que se possa
e que de mansinho como bossa
eu possa retomar o meu Tom.
Por, Marina Mara
Date: 23 de agosto de 2009
Categorias: Crônicas e Líricas





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