4ª Mostra Cinema e Direitos Humanos

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“O audiovisual é uma grande demanda, por questões estratégicas e como meio de afirmação de identidade para os indígenas. Internamente, no grupo, ainda carrega a função de preservar memória”, observa o cineasta Vincent Carelli, presente em boa parte da 4ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, atração do Centro Cultural Banco do Brasil em exibição a partir desta terça. Com sete títulos integrados à seleção feita pelo curador Francisco Cesar Filho, num universo de 70 filmes, o segmento de fitas feitas para ou por índios — no qual, há 24 anos, Carelli azeita um processo de formação continuada — é vistoso na homenagem realizada no CCBB. Vale registrar a primeira exibição brasiliense do documentário Corumbiara, vencedor de cinco prêmios Kikito no mais recente Festival de Cinema de Gramado.

A 4ª Mostra Cinema e Direitos Humanos alimenta a expectativa de Carelli, que, pioneiro na facilitação do acesso de índios às câmeras, antevê mais trabalho, agora no posto de distribuidor das autênticas produções. Ele comemora estímulos como créditos do programa Cultura Viva e o prêmio Culturas Indígenas. “Vi minha série Índios no Brasil cair em domínio público e ter melhor acesso (via internet) para as escolas que tanto a requisitavam. Torço pela implementação do aprendizado de culturas indígenas nas escolas, seguindo o decreto. Iniciativas como a distribuição da coleção Cineastas indígenas para 3 mil escolas públicas e mil pontos de cultura também nos fortalecem”, observa Carelli.

Na extensa grade da mostra, que totalizará 40 sessões (com projeção digital), estão títulos de peso, como Esse homem vai morrer — Um faroeste caboclo (de Emilio Gallo), que mostra 14 sentenciados à morte (depois da chegada a Rio Maria, no Pará), e a obra internacional e coletiva Histórias de direitos humanos, que aglomera curtas de cineastas como Pablo Trapero, Zhang Ke Jia e a dupla Walter Salles e Daniela Thomas.

Oportunidade rara
O evento traz também rara oportunidade para assistir a filmes de diretoras como Luciana Burlamaqui e Clarissa Duque, respectivamente, representadas por Entre a luz e a sombra e Tambores de água: Um encontro ancestral. No primeiro título, o grupo de rap 509 (acompanhado por sete anos) imprime a possibilidade de reintegração social para encarcerados do Carandiru, enquanto o segundo expõe a música como forma de união entre as raízes africanas e cidadãos venezuelanos.

Outro longa-metragem detido em questões raciais a ser apresentado é Também somos irmãos, que demonstra o cuidado de Francisco Cesar Filho com a vertente da preservação da memória. Feita em 1949, a produção nacional encabeçada por Grande Otelo e Ruth de Souza desfila o preconceito enfrentado por integrantes de uma família criada por um viúvo que adota quatro crianças, duas delas negras e duas brancas.

Na perspectiva histórica, o ano de 1973 se projeta importante, tanto pela finalização de O realismo socialista (que terá segmento extraído da duração original de quatro horas, em torno do julgamento de um trabalhador), feito pelo chileno Raoul Ruiz, quanto por ter, de fato, sido cenário para a peculiar história do embaixador sueco Harald Edelstam, visto como grande salvador em golpe militar recriado no filme O cavaleiro negro (2007).

A mostra do CCBB tem como feito estender a repercussão do longa documental Garapa (de José Padilha, de Ônibus 174), pouco visto nas salas nacionais de cinema. “O filme se detém na insegurança alimentar grave, para usar o termo correto. Existe uma profusão de dados sobre fome disponíveis na internet. Falta, porém, a noção do que significam esses dados no dia a dia das pessoas. Uma coisa é ler estatística, outra é lidar com o problema”, comentou o diretor, à época do lançamento da fita.

PROGRAMAÇÃO

4ª Mostra Cinema de Direitos Humanos
Programação:

Terça-feira (27/10)
Às 14h30, Yãkwá, o banquete dos espíritos (de Virgínia Valadão, 54min, 1995)
A arca dos Zo’é (de Dominique Tilkin Gallois e Vincent Carelli, 22min, 1993)
O espírito da TV (de Vincent Carelli, 18min, 1990). Classificação indicativa livre.

Às 16h30,
Mokoi Tekoá Petei Jeguatá — Duas aldeias, uma caminhada (de Arial Duarte Ortega, Germano Beñites e Jorge Morinico, 63min, 2008)
De volta à terra boa (de Mari Corrêa e Vincent Carelli, 21min, 2008)
Prîara jõ, depois do ovo, a guerra (de Komoi Paraná, 15min, 2008). Classificação indicativa livre.

Às 20h, Sessão de abertura O cavaleiro negro (de Ulf Hultberg e Åsa Faringer, Suécia/México/Dinamarca, 95min, 2007). Recomendado para maiores de 14 anos.

Quarta-feira (28/10)
Às 14h30 (sessão com audiodescrição*)
O signo da cidade (de Carlos Alberto Riccelli, 96 min, 2007)
* Para público com deficiência visual. Recomendado para maiores de16 anos.

Às 16h30,
Também somos irmãos (de José Carlos Burle, 85 min, 1949). Classificação indicativa livre.

Às18h30,
À margem do lixo (de Evaldo Mocarzel, 84 min, 2008). Classificação indicativa livre.

Às 20h30,
O signo da cidade (de Carlos Alberto Riccelli, 96 min, 2007)
Os sapatos de Aristeu (de René Guerra, 17min, 2008). Recomendado para maiores de 16 anos.

Quinta-feira (29/10)
Às 14h30,
Pro dia nascer feliz (de João Jardim, 88 min, 2006). Classificação indicativa livre.

Às 16h30,
Devoção (de Sergio Sanz, 85 min, 2008)
Phedra: (de Claudia Priscilla, 13 min, 2008). Recomendado para maiores de 12 anos.

Às 18h30,
Crueldade mortal (de Luiz Paulino dos Santos, 92 min, 1976)
Estrela de oito pontas (de Fernando Diniz e Marcos Magalhães, 12min, 1996). Recomendado para maiores de 16 anos.

Às 20h30,
Tambores de água: um encontro ancestral (de Clarissa Duque, Venezuela/Camarões, 75 min, 2008)
Além de café, petróleo e diamantes (de Marcelo Trotta, 15min, 2007)
Tarabatara (de Julia Zakia, 23min, 2007). Classificação indicativa livre.

Sexta-feira (30/10)
Às 14h, sessão com audiodescrição*
Não conte a ninguém (de Francisco J. Lombardi, Peru/Espanha, 120min, 1998) * Para público com deficiência visual. Recomendado para maiores de 18 anos.

Às 16h30,
O realismo socialista (de Raúl Ruiz, Chile, 52min, 1973)
Agarrando pueblo (os vampiros da miséria) (de Carlos Mayolo e Luis Ospina, Colômbia, 28min, 1978). Recomendado para maiores de 16 anos.

Às 18h30,
Esse homem vai morrer — Um faroeste caboclo (de Emilio Gallo, 75min, 2008)
Contra-corrente (de Agostina Guala, Argentina, 9min, 2008)
Partida (de Marcelo Martinessi, Paraguai, 14min, 2008). Recomendado para maiores de 16 anos.

Às 20h30,
Unidade 25 (de Alejo Hojiman, Argentina/Espanha, 90 min, 2008)
Cocais, a cidade reinventada (de Inês Cardoso, 15 min, 2008). Recomendado para maiores de 16 anos.

Sábado (31/10)
Às 14h30,
Garapa (de José Padilha, 110min, 2008). Recomendado para maiores de12 anos.

Às 16h30
Bagatela — A necessidade tem cara de cachorro (de Jorge Caballero, Colômbia/Espanha, 74min, 2008)
Menino aranha (de Mariana Lacerda, 13min, 2008)
Meninos (de Gonzalo Rodríguez Fábregas, Uruguai, 14 min, 2008). Recomendado para maiores de 12 anos.

Às 18h30,
Sentidos à flor da pele (de Evaldo Mocarzel, 80min, 2008)
Pugile (de Danilo Solferini, 21min, 2007). Classificação indicativa livre.

Às 20h30,
Corumbiara (de Vincent Carelli, 117min, 2009). Classificação indicativa livre.

Domingo (01/11)

Às 14h30,
Trago comigo — Parte 1 (capítulos 1 e 2). De Tata Amaral (96min, 2009). Às 16h30, parte 2 (capítulos 3 e 4). Recomendado para maiores de 16 anos.

Às 18h30,
Histórias de direitos humanos (diversos diretores e países de origem, 84min, 2008). Recomendado para maiores de 16 anos.

Às 20h30,
Entre a luz e a sombra (de Luciana Burlamaqui, 150min, 2007). Recomendado para maiores de 16 anos.

Local: Centro Cultural Banco do Brasil – SCES, Tr. 2, Lt. 22 – Asa Sul – 3310-7087
Preço inteira: Entrada franca.
De: 27/10/2009
Até: 01/11/2009

Fonte: Correio Braziliense

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