E o troféu Candango vai para…

O júri do 42º Festival de Brasília ouviu a voz da plateia e consagrou o longa-metragem É proibido fumar como o grande vencedor da mostra competitiva. A comédia paulistana dirigida por Anna Muylaert (Durval discos) venceu oito prêmios oficiais, entre eles o Candango de melhor filme e roteiro. O filme narra o tumultuado caso amoroso entre uma professora de violão, fumante compulsiva, e um músico fã de Jorge Ben Jor. Os dois astros da produção, Glória Pires e Paulo Miklos, ficaram com os troféus de atuação. O filme venceu ainda o prêmio da crítica.

Depois de uma edição que destacou o polêmico Filmefobia, de Kiko Goifman, o festival optou por marcar posição a favor do apelo popular. O alegre documentário Filhos de João, admirável mundo Novo Baiano, de Henrique Dantas, venceu prêmio especial do júri e foi eleito o melhor segundo júri popular. O longa de baixo orçamento, produzido na Bahia, retrata a trajetória da banda Novos Baianos. O documentário Quebradeiras, sobre o cotidiano das quebradeiras de coco de babaçu, foi o vencedor que não passou com louvores no teste da audiência: Evaldo Mocarzel mudou de estilo e, em tom contemplativo, foi reconhecido como o melhor diretor da edição.

A cerimônia de premiação também será lembrada pelas ausências. Sem pulverizar prêmios entre vários concorrentes, o júri ignorou o belo documentário mineiro A falta que me faz, de Marília Rocha, e o brasiliense Perdão, mister Fiel, de Jorge Oliveira. Produção do Distrito Federal, O homem mau dorme bem ficou apenas com o Candango de coadjuvante, para Bruno Torres (filho do diretor do filme, Geraldo Moraes).

Festa pernambucana
Ovacionado como há tempos não se via no Cine Brasília, o bem-humorado curta Recife frio sai do Festival consagrando Kleber Mendonça Filho, que venceu nas categorias de direção, roteiro, júri popular, além do prêmio Saruê, dado pela equipe de Cultura do Correio. No entanto, coube a outro pernambucano o cobiçado Candango de melhor curta. Camilo Cavalcante venceu por Ave Maria ou a mãe dos sertanejos, tocante filme-poema-musicado sobre o sertão. Ganhou ainda fotografia para Beto Martins, prêmio da crítica e aquisição do Canal Brasil.

O diretor Kleber Mendonça Filho entrou tranquilo na cerimônia de premiação. “A gente não tinha se preparado para aquela reação do público. Saímos abalados no melhor sentido da palavra”, avaliou o criador, que já garantiu a exibição da comédia em dezembro, em Portugal, e, em março, em Toulouse (França). Já tem também R$ 1,5 milhão para rodar o primeiro longa-metragem, O som ao redor, que dialoga fortemente com o território pernambucano.

Produção brasiliense, A noite por testemunha, de Bruno Torres, foi prestigiado pelo trabalho do quinteto de atores, Alessandro Brandão, André Reis, Iuri Saraiva, Diego Borges e Túlio Starling, que ganhou o Candango pela interpretação conjunta no filme inspirado na tragédia do índio Galdino. A obra de Bruno Torres levou ainda a estatueta de trilha sonora (Marcus Siqueira e Thiago Cury). Ganhadora do Candango de melhor atriz por Baixio das bestas, de Claudio Assis, Mariah Teixeira leva o segundo troféu para casa pela atuação no obscuro Água viva, de Raul Maciel; O belo Bailão, de Marcelo Caetano, venceu montagem.

Troféu Saruê
Criado pelo artista plástico Galeno, o Troféu Saruê destaca o melhor momento do Festival de Brasília segundo a equipe do Diversão & Arte. Rodrigo Santoro (por Bicho de 7 cabeças), Zezeh Barbosa (por Bendito fruto) e o elenco de Amarelo manga foram alguns dos vencedores do prêmio, entregue pela primeira vez em 1996. Ano passado, a equipe do Correio destacou um longa que não participava da competição e foi exibido na Mostra Brasília: Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte. Este ano, por unanimidade, venceu um curta-metragem: Recife frio, de Kléber Mendonça Filho. A produção pernambucana provocou rara sintonia entre público e crítica: a projeção mais calorosa da edi