Censura no Cinema Brasileiro – 1964 – 1988

Na página www.memoriacinebr.com.br é possível saber, por meio de documentos oficiais, o que realmente ocorreu com a produção e cinematográfica na época da Ditadura Militar, desde o Golpe de 64 à promulgação da Constituição de 1988.
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Na página www.memoriacinebr.com.br é possível saber, por meio de documentos oficiais,  o que realmente ocorreu com a produção e cinematográfica na época da Ditadura Militar, desde o Golpe de 64 à promulgação da Constituição de 1988. De maneira prática é possível localizar documentos, tidos por muito tempo como “secretos”, relativos às prisões arbitrárias e filmes censurados.  As pesquisas podem ser feitas pelo nome do cineasta, do filme, pelo ano de lançamento, entre outros. A página ainda traz uma série de vídeos de entrevistas feitas com cineastas e profissionais do cinema da época.

Historicamente, todo regime totalitário tem no controle sobre as formas de expressão um dos principais pilares de sua sustentação, e a isso chamamos Censura. Através dos tempos, sob a fachada de “proteção à ordem social”, foi exercida contra indivíduos e idéias. Censura significa cerceamento de liberdades individuais, negação da liberdade de expressão, manipulação de informação, de rumos, de vidas.

No Brasil, de 1964 à promulgação da Constituição de 1988, a Censura cumpriu sua função histórica como um dos mais importantes órgãos de repressão da ditadura militar brasileira. Sem ela, seguramente, o regime de exceção não teria se sustentado por quase três décadas. As limitações intelectuais dos censores, muito propagadas pela imprensa, jamais foram empecilhos à sua ação. Bem organizada, sagaz, implacável e poderosa, frustrou sonhos, impediu caminhos, abortou promessas e calou gerações.

Censura não tem a ver com classificação etária, definição de horário e de programação. Censura tem a ver com repressão às liberdades individuais, negação do direito de livre expressão, manipulação de informação e de vidas.

Conhecer sua história e reconhecer os danos causados é o caminho para impedir que se repita. Esta é a proposta deste projeto pioneiro. Aqui, os danos culturais, políticos e sociais que nos legou por herança podem ser aferidos, livres de interlocutores ou interpretações. “Expor para melhor guardar” é a proposta que defendemos e da qual nos queremos instrumento.

Em dezembro de 2005, o projeto disponibilizou gratuitamente mais de seis mil documentos relativos a 175 filmes brasileiros – processos de censura, documentos do DEOPS-SP e material de imprensa. Deste total, seis filmes não tiveram seus processos de censura localizados – Amor bandido; Wilsinho Galiléia; Cuidado, madame; Imagens do silêncio; Sem essa, aranha e Copacabana, mon amour e participam do projeto apenas com material de imprensa. Outros cinco não tiveram qualquer material de imprensa localizado – Álbum de família; 1968; Ironweed; Gigante da América e Cinema inocente. Estão presentes seus processos de censura.

Agora, em outubro de 2007, estamos disponibilizando mais 269 filmes, de trinta e cinco cineastas, grande parte representantes do cinema marginal, da pornochanchada e do cinema independente.

No total, a filmografia de sessenta cineastas brasileiros está amplamente representada. Outros quarenta e seis cineastas são citados por suas participações em filmes episódicos.

Uma nova edição do conteúdo deste portal em DVDRom, revista e ampliada, cumpre o objetivo de ampliar o acesso às informações para além da Internet e será distribuída gratuitamente por todo o país. Você também pode adquiri-lo através do site, na página “Compre aqui seu DVD”.

Esclarecimentos sobre a documentação

Através de criterioso cruzamento dos números de matrícula dos censores, de suas assinaturas e seus carimbos de identificação, pudemos creditar a autoria de muitos documentos que apresentam apenas um ou outro destes três elementos. Alguns documentos, mesmo incompletos, foram mantidos devido à importância da informação que continham.

No material de Imprensa, foram priorizadas as que apresentavam fonte e data de publicação. Quando consideradas relevantes, foram incluídas matérias incompletas, sem créditos ou com créditos parciais. Agradecemos desde já por toda a ajuda que nos leve a comprovar os créditos ou completar estas matérias. Para isso, entrem em contato conosco através da página “Contato”.

Para finalizar

Este trabalho foi realizado tendo sempre em mente nossas limitações e a consciência de que, como disse Marc Bloch em seu livro Apologia da Historia ou o Oficio de Historiador, “a vida é muito breve, os conhecimentos a adquirir muito longos para permitir, até para o mais belo gênio, uma experiência total da humanidade”.

Fizemos nossa parte e disso, nos orgulhamos.

Se erros subsistem, eles me concernem e as críticas devem ser dirigidas a mim. Quanto aos acertos, estes são a partilhar com toda minha equipe.

Leonor Souza Pinto
Coordenadora

Realização:
Recordar Produções Artísticas
Patrocinadores:
Petrobras Lei de incentivo a cultura Ministério da Cultura
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