Eu sem mim
Tranquei meu eu dentro de mim
E não joguei a chave fora, ainda.
Tranquei para protegê-lo
Como em útero prenhe de vida nova
Meu eu, meu cristal delicado
Que por vezes foi estilhaçado
Por rajadas verbais e plurais
Agora está encarcerado aqui
No fundo, mas tão no fundo
Que ele nada ouve, vê ou sente
Também não posso mais ouvi-lo.
Então saio para a rua, esbarrando
Contracenando com figurantes de si
Assim como eu, sem meu eu
As pessoas estão presas
Trancafiadas em seus corpos
Protegendo-se do cenário e do enredo
Que elas mesmas teceram
E entristeceram… murcharam
Picharam o amor
Andam brincando de lego
com o amor alheio.
Tai, qualquer dia desses crio coragem
E liberto meu eu
Quero vê-lo voltando
Se aproximando todo cheio de si.
Ao me abraçar poros a dentro
Seriamos um só novamente
E voltaríamos para o fundo do peito
Só que, dessa vez, do peito
de um bem-quer.
Marina Mara
Date: 30 de novembro de 2009
Categorias: Poemas de Marina






Últimos comentários