Diretor de Lula, o filho do Brasil sofre grave acidente

O cineasta Fábio Barreto, diretor do filme Lula, o filho do Brasil, sofreu um grave acidente automobilístico na noite do último sábado e se encontra internado em estado grave no Hospital Copa D´Or, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Segundo informações do Corpo de Bombeiros do Humaitá, ele pilotava uma Pajero Mitsubishi que capotou por volta das 22h50 na Rua Real Grandeza, em Botafogo, próximo à via de acesso ao Túnel Velho. Fábio, de 52 anos, encontrava-se sozinho no momento do acidente.

Um boletim divulgado pela assessoria do hospital noticiou que o cineasta chegou à Emergência do Copa D´Or transferido do hospital Miguel Couto, onde, durante a madrugada, “foi submetido a craniotomia descompressiva para tratamento de hematoma sudural agudo”. A cirurgia foi acompanhada pelo neurocirurgião Paulo Niemeyer. O estado neurológico de Fábio Barreto, segundo os médicos, é crítico, “mas sem complicações”, informa o boletim. Hoje pela manhã, ele será submetido a uma tomografia. Se houver uma progressão muito grande das lesões que sofreu no cérebro, ele será submetido a uma nova cirurgia. O coma induzido deverá ser mantido por até 10 dias. Niemeyer previa ontem que o estado do cineasta poderá piorar nas próximas 48 ou 72 horas, algo considerado normal nesses casos. Até o fechamento desta edição, o diretor se encontrava sedado, em coma induzido e respirando com ajuda dos aparelhos.

A família do diretor acompanha de perto a situação desde os primeiros momentos do acidente e demonstra otimismo. Amigos como o diretor de cinema e televisão Guel Arraes, o cantor Orlando Moraes – marido de Glória Pires -, além da atriz Patrícia Pillar e o marido, Ciro Gomes, prestaram solidariedade aos parentes de Fábio Barreto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também manifestou preocupação ao ligar para os familiares na parte da tarde de ontem. Lula conversou com o produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, pai do cineasta.

Diretor de filmes como O Quatrilho – produção brasileira indicada ao Oscar de 1995 – e Lula, o filho do Brasil, com estreia nacional prevista para acontecer em 1º de janeiro de 2010, em mais de 400 salas de cinema, Fábio Barreto começou a carreira em 1977, aos 20 anos, quando dirigiu o curta-metragem A estória de José e Maria, um dos destaques da mostra competitiva do Festival de Brasília daquele ano. Atualmente o cineasta voltava todas as suas energias para o lançamento da megaprodução orçada em R$ 12 milhões.

Protagonizado por Glória Pires e Rui Ricardo Diaz – que vive o presidente Lula, na tela -, a produção teve sua primeira exibição nacional na abertura do 42º Festival de Brasília, em novembro. A sessão foi marcada por grande confusão por conta da superlotação da Sala Villa-Lobos. O filme também foi lançado no Rio e em São Paulo. Logo após a estreia paulista, o diretor concedeu entrevista ao Correio.

Para saber mais

Fase sindicalista

Com roteiro de Fernando Bonassi, Daniel Tendler e Denise Paraná, autora da biografia homônima que deu origem ao filme, Lula, o filho do Brasil, chega aos cinemas do país envolto em números megalomaníacos. Orçado em R$ 12 milhões, a produção deverá atingir mais de 400 salas de cinema em todo o país. Focado na primeira parte da vida do presidente Lula, período em que ele era sindicalista no ABC paulista, o longa aposta em estratégia de lançamento que promete bater o recorde de bilheteria no cinema nacional.

Uma das estratégias adotadas pelos produtores está na parceria com a classe sindical que permitirá que cerca de 10 milhões de filiados comprem ingressos populares para as sessões. Na trama, Glória Pires vive dona Lindu, mãe do presidente Lula. Homem de teatro e rosto desconhecido do grande público, o ator mineiro Rui Ricardo Diaz encarna na história o presidente Lula. Para Luiz Carlos Barreto – produtor de filmes da cena nacional como Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, e Bye Bye Brazil (1979), de Cacá Diegues – Lula, o filho do Brasil, presta uma homenagem à todas mães do país. “É um projeto humanista que presta uma homenagem não ao Lula, mas à Dona Lindu, sua mãe, a grande figura por trás do homem”, destacou Barretão, em entrevista recente ao Correio.

Fonte: Correio Braziliense


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