Filme sobre Lula chega às telonas (leia a crítica)

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Há qualidades em Lula, o filho do Brasil. A produção é esmerada, o roteiro flui até determinado ponto e as atuações de Milhem Cortaz, pai de Lula, e de Glória Pires, a dona Lindu, são das mais convincentes. Esses três fatores conferem verdade à primeira e ótima parte do filme, aquela em que Lula é ainda um garoto e a trama se concentra na saga da família retirante, tão exemplar dos brasileiros daquele tempo. A expressão dura de Glória Pires/ Dona Lindu embarcando a filharada no pau-de-arara já valeria o ingresso.

À medida que a ação passa a focar a atuação político-sindical de Lula, no entanto, o filme se perde, sem conseguir contar nenhuma história. Tanto a luta sindical daquele período quanto a vida pessoal de Lula são perfiladas em ritmo de videoclipe. Fatos marcantes, como a perda do dedo numa máquina de corte, não ganham destaque. Tudo parece ter sido pensado para não desagradar o personagem retratado. O filme se encerra em anticlímax, antes da criação do Partido dos Trabalhadores, o fato que daria a real dimensão da luta que o personagem empreendeu no seu sindicato.

Não há dúvida de que os Barreto conseguiram juntar os ingredientes adequados para cumprir uma trajetória de sucesso digna do personagem que o inspirou. Lula, o filho do Brasil vai agradar plateias por seu formato simplório de folhetim do bem contra o mal, mas, artisticamente, fracassa.

O fracasso artístico se dá, sobretudo, na construção de um dos dois personagens principais do filme. O Luiz Inácio Lula da Silva dos Barreto é desprovido de humanidade e infinitamente menos interessante do que o personagem real. O filho de dona Lindu surge na tela sem pecados e reticências, sóbrio, honesto, corajoso, justo… Enfim, uma enciclopédia de virtudes. O resultado é que a história dele não convence. Um personagem sem conflitos e sem defeitos perde em profundidade e se torna obviamente desinteressante, falso, sobretudo se a história é vendida como “história real”. Não à toa, o filme tem sido visto como a história de Dona Lindu, a mãe de Lula.

Mas não é apenas por isso que a história é mal contada.  Lula, o filho do Brasil é um filme que falta com a honestidade. Antes mesmo do início da história, surge na tela uma advertência de que o filme não teve apoio de leis de incentivo fiscal. A seguir, a longa lista de patrocinadores é apresentada. O primeiro nome da tal lista é o do Senai, instituição que recebe uma “contribuição” por cada pessoa empregada com carteira assinada no país. Dinheiro público! Não há problema em usá-lo de forma legal. Mas há muito em escamotear esse uso.

As distorções e omissões da trama já foram assaz apontadas. Não seriam pecados maiores não fosse Lula um personagem político contemporâneo e se estivessem a serviço da narrativa cinematográfica. Não é o caso.

Um bom filme, sobre Lula, personagem rico e contraditório como poucos, ainda está para ser feito.

Fonte: cinema.com.br

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RSS dos comentários TrackBack 1 comentário

Benetti Mendes

em 7 de janeiro de 2010

Oi Marina, assisti ao filme do Lula e sai com lágrimas, não sou um entusiasta da vida partidária que a carga do personagem carrega pra todos os brasileiros, devo dizer que votei as três vezes que pude nele mesmo, afinal de contas era o candidato que sempre falava o que entendia, talvez por isso o filme tenha um enfoque tão direto e simplista artisticamente e impressiona ter custado tão caro pros padrões atuais, mas enfim, me emocionei pois a imagem de um homem que saiu do nada, do zero, aonde só tinha a mãe pra lhe educar e amar veio a se transformar nesse mito vivo, vale de inspiração pra qualquer Luís desse nosso Brasilzão se transformar num vencedor. Dá vontade de saber mais sobre o processo do nascimento do PT, mas pra mim, isso se torna irrelevante, pois o partido é um apêndice dos sonhos e interesses de terceiros que estavam ali esperando a chancer de enfrentar os patrões, assim como todos que enfrentavam os militares naquele momento do país. Mas salve a atuação de Milhem Cortaz que faz o pai e do cara que interpreta o Lula o Rui Ricardo Dias, sei que poderia ter ficado melhor artísticamente, mas a mensagem a se passar me parece ser tão simples que valeu à pena ser contada assim, pra que todos possam entender que se pode vencer na vida, é só acreditar.