Morre Wilson Martins, o último crítico literário
Polêmico, conservador, corajoso e contundente. Estas são algumas definições com que era brindado o crítico literário paulista Wilson Martins, que morreu, em Curitiba, no sábado, aos 88 anos, em razão de complicações decorrentes de uma cirurgia para a retirada da bexiga. Ele estava internado no Hospital Nossa Senhora das Graças. O seu corpo será cremado, conforme desejo firmado em cartório.
Wilson Martins é autor de uma vasta obra de crítico literário, com destaque para os 12 volumes História da inteligência brasileira, um ambicioso e polêmico panorama da cultura brasileira. Além disso, publicou também, entre outras, A ideia modernista, A crítica literária no Brasil e A palavra escrita.
Martins estava radicado em Curitiba, mas nasceu em São Paulo, em 1921. Como quase todos de sua geração, interessados em literatura, ele formou-se em direito, com especialização em letras, na França. Entre 1946 e 1948, publicou textos na revista Joaquim, editada pelo escritor Dalton Trevisan.
Tornou-se professor de literatura francesa na Universidade Federal do Paraná e deu aulas de literatura brasileira em universidades dos Estados Unidos. O ponto culminante de sua trajetória nos EUA foi a passagem pela Universidade de Nova York, onde ele trabalhou por 26 anos, conquistando o título de professor emérito. Em 1992, se aposentou e retornou ao Brasil.
Ao longo de sua vida, Martins estabeleceu uma intensa colaboração com a imprensa, atuando como colunista do Jornal do Brasil, O Globo e A Gazeta do Povo. Ele disse, por exemplo, que o romance Estorvo, de Chico Buarque, não passava de uma imitação de Zero, de Inácio Loyola de Brandão. Recebeu prêmios como o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por duas vezes, por volumes do livro História da inteligência brasileira, e o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 2002, pelo conjunto de sua obra.
Em sua última entrevista, concedida ao jornal O Estado de São Paulo, Martins afirmou que se considerava o último crítico literário do Brasil: “Críticos não se limitam a resumir os livros, a vendê-los, mas dizem se eles são bons ou ruins e põem suas cabeças a prêmio quando se arriscam a dizer por quê”.
Fonte: Correio Braziliense
Date: 1 de fevereiro de 2010
Categorias: Leitura



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