A vida em Braille

  

 

A vida em Braille

 

Os cegos não querem ser heróis

Querem ser como são – normais

As batalhas que vencem dia a dia

Os obstáculos que só eles notam

É coisa de quem vê, mas não enxerga

Chamo essa de cegueira da alma

A qual nos impede de enxergar o próximo.

Em um mundo tão cheio de mazelas

As quais vemos ao mudar o canal

Ao conectarmos, ao caminharmos

O que resta de bom, estamos queimando

Devastando, transformando em luxo

Que logo se tornará lixo em nome da moda.

Ei, você: feche os olhos por um instante

Vês como agora você ouve melhor?

Vês que sentes pessoas e aromas ao longe?

Vês que podes imaginar o mundo mais colorido?

O cego também vê.

E de tanto ter a imaginação

Como modo de ver a vida

Acabou por se convencer

De que o mundo ainda pode ser belo

Desde que todos fechem os olhos

Para, em Braille, redescobrir

A verdadeira textura da vida.

 

Marina Mara


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