Viva, Bulcão vive!
Este texto é dedicada ao responsável pela sutileza que brota em meio ao concreto moderno da Capital Federal, vamos falar sobre Athos Bulcão.
Tendo chegado a Brasília na época de sua construção, a convite de Oscar Niemeyer, Bulcão se tornou um de nossos mais ilustres pioneiros. Porém, quem resumia sua obra aos belíssimos azulejos que ilustram alguns monumentos oficiais da cidade, equivocou-se. O multifacetado artista, só em Brasília, possui mais de duzentas obras catalogadas como pinturas, máscaras, serigrafias, fotomontagens e aquarelas, ajudando a fazer do Planalto Central uma exposição a céu aberto.
Apesar de ter cursado três anos de Medicina, Athos Bulcão não pensou duas vezes antes de abrir mão do curso para se dedicar inteiramente às artes. Segundo ele, sua formação artística mais profunda se deu pelo contato com grandes – e ilustres – amigos como Carlos Scliar, Jorge Amado, Manuel Bandeira, Portinari, Burle Marx, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, entre outros.
Ao falar de sua obra, automaticamente, nos remetemos à “cara de Brasília” e um fato inusitado ratifica essa afirmação. Ao encontrar uma querida amiga – e jornalista -, Elisa Graziela, conversamos sobre sua última viagem ao Rio de Janeiro. Na praia, vestindo seu biquíni com estampas de Athos Bulcão, foi questionada por algumas vezes: “Você é de Brasília?”. O que poderia parecer incômodo a muitos, para a brasiliense apaixonada pelo Cerrado foi motivo de orgulho. Segundo ela: “Bulcão é a identidade visual de Brasília e está tatuado em nosso cotidiano. E quem diz que não temos cultura, provavelmente não conhece a obra desse mestre”.
Tendo partido para a eternidade no final de julho de 2008, o artista nos deixou um grande legado. Seja por meio de protestos na época da ditadura militar quando era professor da UnB ou seja por meio de sua sensibilidade, ele nos deixou como herança, o orgulho por seus atos de coragem, atos de patriotismo…em resumo, atos de Bulcão.
Marina Mara
Date: 7 de março de 2010
Categorias: Crônicas e Líricas





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