O Aniversário da Infanta

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Os irmãos Adriano e Fernando Guimarães, há 20 anos, vêm desenvolvendo trabalhos em linguagem teatral e plástica. Compostas de peças teatrais, instalações, fotografias e performances, 34 espetáculos amadores e 38 profissionais foram produzidos. As obras dos irmãos já ganharam vários prêmios nacionais e internacionais.

Desta vez, a dupla traz para Brasília, de 4 a 14 de março o espetáculo “O Aniversário da Infanta“, do autor Oscar Wilde, que foi publicado em 1888. A história se passa em uma data muito especial para a sombria corte espanhola: a comemoração dos doze anos da Infanta de Espanha. Na obra estão presentes alguns dos principais temas de Wilde: a vaidade, o horror, o poder da beleza e a cegueira da paixão.

Professores na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, os Guimarães procuram aproveitar do talento descoberto nos alunos, na fase final de seu curso. “Muitos alunos terminam o curso e não precisam procurar trabalho. Aqui mesmo com agente eles se tornam profissionais”, comenta o diretor e professor Fernando.

“Embora fosse princesa, filha do rei, ela só fazia anos uma vez a cada doze meses, como as filhas dos pobres. Neste dia era permitido que a jovem brincasse com outras crianças, já que vivia sempre sozinha em seu palácio”, conta um dos diretores.

O elenco composto por André Reis, Eduardo Félix, Leandro Menezes, Lívia Bennet, Mateus Ferrari, Michelly Scanzi, Nathalia Mello, Natália Leite, Rodrigo Lélis, Tati Ramos e Váleria Rocha revelam a história de um dia especialíssimo onde tudo deveria estar perfeito. Até o jardim e suas flores se preparavam para o aniversário da Infanta, assim como os pássaros e as lagartixas. No dia, todos estavam ansiosos para ver as atrações que animariam a festa, principalmente o comovente teatro de bonecos ingleses. Chega então uma trupe de palhaços trazendo, como uma das atrações da festa, um anão grotesco.

A criatura não tinha consciência de seu próprio aspecto, pois fora criada isolada na floresta. Na apresentação do anão, a infanta se diverte com seus gestos ridículos e engraçados. Fascinada, ela lhe oferece uma rosa branca. O anão se enamora da princesa e a partir de então passa a lhe sorrir “como se fosse realmente seu igual e não um pequeno ser, feito pela natureza em algum momento de humor, para servir de zombaria”, comenta Adriano Guimarães.

Oscar Wilde escreveu “O Aniversário da Infanta” para seus filhos. Com precisão formal, a narrativa reúne poesia, humor e crueldade. O autor se utilizou de recursos dos contos de fadas tradicionais para exercitar sua aguda crítica e ironia corrosiva: animais e plantas falam, mas a voz humana dada a esses personagens serve de mote para que o autor discuta, por exemplo, a brutal diferença entre as classes sociais. No conto estão presentes alguns dos principais temas da obra de Wilde: a vaidade, o horror.

Irmãos são palestrantes em diversos eventos no Brasil e no exterior 

Eles vivem em Brasília e vêm participando como palestrantes em diversos eventos no Brasil e no exterior, como o projeto INTERTERRITORIEDADE, promovido pelo SESC em São Paulo e coordenado pela arte educadora Ana Mae e o projeto EL JUEGO, EL DISCURSO Y EL CUERPO, promovido pelo MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Vigo, na Espanha e coordenado pelo curador cubano Gerardo Mosquera.

Os principais trabalhos visuais da dupla foram: a instalação MACBETH MAUSER – a partir da obra de Shakespeare – que participou da 21ª Bienal Internacional de São Paulo; a exposição THE THEATRE OF INSTALLATION, no Museum of Installation, em Londres; a série de performances JOGOS – a partir da obra de Beckett – que integrou o Panorama da Arte Brasileira. JOGOS foi apresentado no Museu de Arte Moderna – São Paulo, no Museu de Arte Contemporânea de Recife, no Paço Imperial – Rio de Janeiro, e ainda no Museu de Arte Contemporânea, em Vigo, na Espanha.

Após a estreia em Brasília, os Guimarães devem seguir para São Luís, e outras cidades. “Estávamos preocupados com a estreia em Brasília, trabalhamos muito para o sucesso do espetáculo, por isso não planejamos para onde iremos depois”, disse Fernando.

Fonte: Tribuna do Brasil

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RSS dos comentários TrackBack 1 comentário

Marcelo

em 15 de março de 2010

A peça é ótima, pena que a temporada foi tão curta em Brasília! Impressionante como os recursos cênicos são usados com precisão. Adorei!