Ópera indígena leva a Amazônia para o Teatro

Dia 26 na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional - de graça.
Share

O compositor russo Sergei Firsanov e eu compusemos a ópera infantil O VIAJANTE DAS LENDAS AMAZÔNICAS. Sua estréia mundial foi realizada sob coordenação e produção da Fundação Amazônica de Música (dirigida pela musicóloga e professora Glória Caputo) e Musicart Produções (coordenada pela professora de música Selma Chaves), dentro do programa Vale Música Belém. Encenada inicialmente no Teatro da Paz (Belém do Pará) e no Palácio das Artes (Belo Horizonte) em 2007 a peça vem percorrendo várias capitais do país. No próximo dia 26 de maio será a vez de Brasília receber essa superprodução, às 20h na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional – de graça.

Representação, coro e orquestra: 130 alunos entre 7 a 15 anos.

“Mãe Natureza”: Dione Colares-Soprano.

Borboleta Azul: Ana Carolina-Bailarina.

Índio: Manoel Aires.

Índia: Márcia Lima.

Velho Taracutê: Pauli Banhos.

Curumim: Jefferson Castro da Silva.

Regência: Miguel Campos Neto.

Direção cênica: Ester Sá.

Cenografia: Nando Lima.

Iluminação: Patrícia Gondim.

Coreografia: Jaime Amaral.

Caract. Maquiagem: Nelson Borges.

Filmagem e edição: Jorane Castro.

Figurinos: Maurício Franco.

Regente/Coro: Elizery Sarmento.

Vídeo de animação: Alexandro Costa e Sandra Carvalho.

Confecção de bonecos: Anibal Pacha.

Criação dos desenhos: Alunos do Vale Música.

Digitalização e imagens para vídeo: André Mardock.

Poema: João de Jesus PAES LOUREIRO

Música: Sergei Firsanov

1º Ato

Manegundes, canoeiro

embarca na igarité.

Vai da ilha da Pacoca

na direção de Abaeté

Um Curumim falador

pediu para ir também:

- Me leve, para onde for

que de lá vou pra Belém.

- Eu levo, se na viagem

muitas histórias contares,

mas te abandono na margem

na hora em que te calares.

E o Curumim, sem mais nem,

pulou na canoa também.

Logo no início da viagem,

com pena do Curumim,

uma Borboleta Azul

pousou no seu ombro e assim

falando-lhe ao pé do ouvido

começou a relembrá-lo

de mil histórias sem fim.

- Eu sou a Borboleta azul

e vou contar para ti

uma história tão bonita

uma história tão bonita

que o Canoeiro escutando,

logo se vai comover.

E nessa história sonhando

faz teu sonho acontecer.

Manegundes remava remava remava

O Curumim falava falava falava

A igarité navegava vagava vagava

Passa uma garça voando

passa guará, juruti

passa andorinha, marreca

passa urubu, saracura

passa ariramba, gavião

pássaros pássaros vem

pássaros pássaros vão

E o Curumim repetia

o que a Borboleta Azul lhe dizia.

- Na floresta da Amazônia

há um pássaro encantado,

que se chama Uirapuru

e tem um lindo trinado.

E quanto mais ele canta

seu canto, que é o mais bonito

dos cantos que ali havia,

faz a floresta calar,

só para ouvi-lo cantar.

A floresta silencia

só para ouvi-lo cantar.

Tudo em redor silencia

para escutar esse canto,

o mais bonito que há.

Quando esse canto ressoa

tudo em redor silencia

tudo em redor silencia.

O vento sopra leve levemente

as onças vão calando lentamente

a lua apaga os raios calmamente

as folhas vão caindo ternamente

as horas vão passando humildemente

o rio se vai pro mar serenamente.

Só para ouvir esse canto

da ave da encantaria

a própria voz do silêncio

na floresta silencia.

Manegundes remava remava remava

O Curumim falava falava falava

A igarité navegava vagava vagava

- Gostei dessa bela história

que tem bonita mensagem,

agora me conta outra

se queres seguir viagem.

Passa barca, passa nuvem

passa capim, canarana

marapatá, mururé

patixuli, periantã

maracujá, fruta-pão

ondas e ondas que vêm

ondas e ondas que vão.

A borboleta, baixinho,

conta outra história ao menino

E o Curumim repetia

o que a Borboleta Azul lhe dizia.

(- Eu sou a Borboleta azul

e vou contar para ti

uma história tão bonita

uma história tão bonita

que o Canoeiro,escutando,

logo se vai comover.

E nessa história sonhando

faz teu sonho acontecer. )

- Antigamente, não havia mosquitos

carapanãs, nem moscas, nem mutucas

nem cabas, nem pulgas, maruins.

O velho Taracutê acendera uma fogueira.

As chamas pareciam línguas vivas.

Dos tições explodiam constelações.

2º Ato

O velho, vez por outra, cochilava

e o fogo, pouco a pouco se apagava.

As línguas do fogo recolhiam-se

dentro da boca das cinzas.

As brasas logo murchas

de vermelhas que eram

ficam negras.

O velho Taracutê sentindo frio

logo atiçar o fogo procurou.

Com seu abano de palha, logo-logo

abanou, abanou, abanou.

Mas, de repente,

das cinzas foram súbito voando

moscas e mosquitos, maruins

carapanãs, pulgas, murissocas

que começaram a perseguir

o velho Taracutê

que pulava de tanto se coçar.

E todo mundo, todo mundo se coçava

se coçava aqui, coçava lá

coçava mais aqui, mais acolá

e sem poder parar

todo mundo pulava e rebolava

de tanto se coçar.

Como um bando de macacos assanhados

todo mundo pulava e rebolava

de tanto se coçar!

Manegundes remava remava remava

O Curumim falava falava falava

A igarité navegava vagava vagava.

- Gostei, também dessa história

história bem divertida.

Se não contares mais outra

vais ter que cuidar da vida.

Passa rio, passa margem

passa boi, passa boiada

passa vela, passa vento

passa riso, passa dor

passa noite, madrugada

passa vida fica amor

passa amor não fica nada.

- Tu cantas como a cigarra

trabalho como a formiga.

Se não contares mais outra

vais ter que cuidar da vida…

(- Eu sou a Borboleta azul

e vou contar para ti

uma história tão bonita

uma história tão bonita

que o Canoeiro,escutando,

logo se vai comover.

E nessa história sonhando

faz teu sonho acontecer.)

3º Ato

- Uma índia macuxi

mais linda que já se viu,

com pinturas cobrindo a pele nua,

fugiu com o belo índio taulipang

amado seu.

Foram pra Serra da Lua.

E desde então

nunca mais se separaram.

Como um só corpo de amor

nunca mais se separaram.

Quando ele ia pescar, ela ia também.

Quando ela ia nadar, ele ia também.

Quando ele ia caçar, ela ia também.

Quando ela ia dormir, ele ia também.

Nove meses depois

o filho que nasceu

nasceu sem vida,

que nem se ouviu chorar.

E a índia macuxi

depois de tanta lida

não pode mais andar

cheia de dor.

E já que a linda índia

não andava,

o índio

sem poder viver sem ela

e sem nunca se cansar,

pra toda parte a levava

nos seus braços.

Para onde quer que fosse

seja qual fosse o lugar,

a sua amada nos braços

o índio passou a levar.

Até que juntos morreram

e juntos foram enterrados,

tão juntos como viveram

na morte não separados.

Foi então que de seus corpos

nasceu uma nova planta

de nome Tambatajá.

Nasceu a planta do amor,

do amor que morre de amar.

Desse amor da vida inteira

que nem a morte matou.

Esse amor que renasceu

na hora em que se encantou

no verde Tambatajá.

Mostrando que não morreu

o amor dos índios amados

que nesse Tambatajá

estão pra sempre encantados.

Manegundes remava remava remava

O Curumim falava falava falava

A igarité navegava vagava vagava

Epílogo

Amazônia! Ai! Amazônia!

Floresta, rio e calor

coração verde pulsando

no peito do meu amor.

Amazônia pindorama

canarana periantã

marapatá caviana

guaimiaba ajuricaba

malária febre-terçã

igarapé pororoca

uxi, tupinambarana

macuxi tupinambá

boiúna boto acauã

carimbó tambaramã

marambiré siriá

Amazônia, quem te ama?

Terra sem males, cunhã.

Deus que te guarde tão bela,

com anjos e caruanas

e a proteção de Tupã!

Amazônia, quem te ama?

Nossa terra! Nossa mãe!

Nós, as crianças, te amamos.

Nós te amamos.

Linda terra. Nossa mãe.

Nós te amamos. Nossa mãe!

Nossa terra.

Nós as crianças te amamos sempre!

Nossa mãe! Terra sem males!

Tu és grande e bela

Amazônia nossa.

Tu és nossa terra e mãe…

Amazônia!

 

Fonte: http://paesloureiro.wordpress.com

Share

Deixe um comentário