Mário Bortolotto traz duas montagens ao Teatro da Caixa
Eles cresceram na época da rebeldia e em busca da liberdade — de expressão, sexual. Eram jovens nos anos 1970 e venceram o período turbulento no Brasil. Hoje, no entanto, um monstro aparentemente sem valentia tira esses sujeitos do sono: o tal do relacionamento. É nesse cenário “sombrio” que o dramaturgo paranaense Mário Bortolotto, do grupo teatral Cemitério de Automóveis, busca inspiração para dois espetáculos que chegam à cidade neste fim de semana. A maratona no Teatro da Caixa começa nesta sexta com a montagem de Curta passagem, que fica até domingo. Amanhã e também no domingo, será a vez de Música para ninar dinossauros, que estreou no Festival Internacional de Teatro de Curitiba, em março.
“Acho que está difícil manter um relacionamento. A gente tenta e é tudo muito complicado. Minha geração ficou perdida com a mudança do comportamento feminino”, constata Bortolotto, de 48 anos. Curta passagem, escrita em 1992, é entrelaçada pelas peças Faz frio na varanda, Billy, a garota e Garotas apaixonadas não usam alianças. Em 60 minutos, o espetáculo aborda de maneira cômica os relacionamentos contemporâneos. A cada sessão, haverá debate com a plateia.
Iniciada em 2009 e finalizada neste ano, Música para ninar dinossauros mostra três amigos quarentões que são incapazes de manter um relacionamento sólido. Por isso, as investidas em garotas de programa podem ser a saída. “A gente está meio chato, não acredita nas coisas. Está todo mundo cético, e acho que com razão”, acredita o diretor, que também faz críticas ao universo masculino. Nessa montagem, três atores vivem os mesmos personagens nos anos 1960.
O elenco, formado por 10 artistas, inclui, além de Bortolotto, o ator, escritor e desenhista Lourenço Mutarelli, e Carlos Carcarah, Francisco Eldo Mendes e Daniela Dezan, entre outros. À exceção de Mutarelli, todos integram a peça Curta passagem.
Em agosto, Bortolotto retorna a Brasília com Êxtase, sob direção de Mauro Baptista Vedia. Paralelo aos espetáculos, o dramaturgo segue fazendo shows com a banda de rock Saco de Ratos, onde assume o posto de vocalista.
Blog e cinema
Nascido em Londrina (PR), em 1962, Mário Bortolotto tem mais de 70 trabalhos cênicos, muitos publicados em livros. Em 1982, fundou o grupo Cemitério de Automóveis, cujo espetáculo Nossa vida não vale um Chevrolet rendeu-lhe o Prêmio Shell de melhor autor. Mantém o blog Atire no dramaturgo.
Ficha técnica:
Texto e Direção: Mário Bortolotto
Elenco: Lourenço Mutarelli, Paulo de Tharso, Mário Bortolotto, Francisco Eldo Mendes, Carlos Carah, Daniela Dezan, Flávia Tápias, Luciane , Wanessa Rudmer e Fernanda Sanches
Iluminação: Rodrigo Cordeiro
Produção e Execução: Daniela Dezan
Duração: 80 minutos
Bilheteria: 3206-6456 (aberta de terça-feira a domingo, das 12h às 21h)
Local: Teatro da Caixa – SBS Qd. 4, Lt. 3/4, anexo à sede da Caixa Econômica Federal – Asa Sul – 3206-9448/6456
Data: Sábado e domingo, às 19h
Preço inteira: R$ 20
Preço meia: R$ 10 (para estudantes, pessoas com 60 anos ou mais, professores e empregados da Caixa)
De: 12/06/2010
Até: 13/06/2010
Date: 12 de junho de 2010
Categorias: Teatro



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