Poetinha na garrafa
Coloque-me em uma garrafa e atire ao mar
E que seja uma garrafa de bom vinho
Para perfumar palavras pelo caminho
Levando buquê e rima a quem me encontrar
Coloque-me em uma garrafa e atire ao oceano
Se for de whisky, que seja bourbon
Sem gelo para aquecer e dar o tom
Ao seu Blues, companheiro de Bossa ano a ano
Coloque-me em uma garrafa e atire ao rio
Ao Rio de Janeiro, fevereiro e março
Que de tão maravilhosa
Até Jesus Cristo corre pro abraço
Já estou na garrafa e há água fora
Invertendo as correntezas
Sob signo de peixes
E síndrome de aquário
Confinada ao útero de vidro
Que me dará à luz sob seu sol
Que à noite se faz rastro de lua
E vem direto da sua rua
Parecendo me chamar, mar, mar
Pise na praia, estou chegando
Andei soltando poesia por aí
E se assim, de onda, você ouvir
Um poema a ressaquear
É a ressaca da poesia
Que embebedou pelo caminho
Náufragos e até Iemanjá .
Marina Mara
Date: 15 de julho de 2010
Categorias: Poemas de Marina






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