dáblio-dáblio-dáblio

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DÁBLIO-DÁBLIO-DÁBLIO (em áudio)

Ficar sem cel não era ficar sem chão na década passada.

O que era o nosso íntimo, o nosso segredo a ser decifrado,

Hoje é débil, é dáblio-dáblio-dáblio.

A superexposição é vitrine, é no monte, é a massa

Bebida em taça de brinde… à e-ngenuidade.

A conexão que nos desconecta de nós mesmos

Acaba por nos, hipnótica-mente, convencer

A baixarmos o software e não baixarmos o Santo,

Digitalizando-nos, deletando nossas mazelas,

Como se delas não precisássemos para lapidação,

Dourando a pílula, a pele e os apelos, quase em pêlos,

Esculpidos por um bisturi online e for free.

Para opinião: senha. Para visitar: perfil,

Enviando abraços não-sonoros sem abraço e sem fio.

Se modernidade servisse para encurtar distância,

E a elegância não passasse a ser artigo de luxo

Em nossas salas de estar, estariam,

Nosso tempo valeria mais cifras e menos cifrões,

Menos textos e mais texturas,

Menos pixels e mais paixões.

 

 Marina Mara

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RSS dos comentários TrackBack 4 comentários

Renata Guedes

em 8 de março de 2010

FOI ESSE O POEMA QUE VC DECLAMOU ONTEM PRA LUCINDA!!!!!!!! AMEI! GOSTARIA DE PEDIR SUA PERMISSÃO PARA LÊ-LO EM MINHA FORMATURA EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO! SE NÃO PUDER, AVISE. CLARO Q CITAREI A AUTORA!

BJ!


Jeanne Maz

em 26 de agosto de 2010

Parabéns Marina, você respresenta muito bem a poesia contemporânea do cerrado. Admiro muito seu trabalho. Beijos. Jeanne Maz


Roberto Alvares

em 17 de novembro de 2012

Vi voce declamando em um programa da tv camara, simplesmente divino.


Allan Nunes

em 2 de dezembro de 2012

Achei fantastico e tem tudo a ver com nossos dias