Faroeste Caboclo no Cinema

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O tão aguardado filme Faroeste Caboclo começa a ser rodado daqui a duas semanas. Ruas, casas e monumentos do Distrito Federal e Entorno serão tomados por atores, produtores, técnicos e toda a parafernália que envolve um longa-metragem. O trabalho levará ao menos dois meses. Se tudo ocorrer conforme o planejado, a saga de João do Santo Cristo, que deixa Salvador em busca de uma vida melhor e acaba em Brasília, deve ganhar as telas de cinema em outubro.

Antes do início das filmagens, grande parte das 80 pessoas envolvidas na obra já na trabalham dia e noite na pré-produção. Elas desembarcaram na capital federal há um mês e meio. Desde então, têm percorrido as cidades do DF e Entorno para estudar os pontos de locações, os costumes dos moradores da região e pesquisar objetos de época. Tudo para resgatar a Brasília do fim dos anos 1970, onde e quando Renato Russo escreveu a música Faroeste Caboclo, agora adaptada para o cinema.

Para a fase final da gestação do longa-metragem, os produtores montaram uma base na 609 Norte, numa das unidades do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb). Eles ocupam quatro amplas salas do subsolo da faculdade. Cada cômodo é destinado a uma etapa da produção. Há espaço para ensaios dos atores, testes de figurinos, pesquisas para cenários, entre outros. Tudo muito organizado para rodar e finalizar o filme.

Com o intuito de não deixar técnicos, atores e todos os outros profissionais perdidos, cada fase da filmagem está escrita em quadros fixados nas paredes. Eles também servem para as fotografias e desenhos dos cenários, roupas, mobílias e todos os objetos que serão usados nas cenas. Entre eles está a clássica Winchester 22, escolhida por João para enfrentar o Jeremias. “Como se trata de um personagem, a arma do filme será especial, banhada a ouro”, revela a produtora Bianca De Felippes.

Reconstituição

Esse e outros segredos do longa o Correio descobriu na primeira visita de uma equipe de reportagem ao quartel-general da produção. Uma simples casa na área rural será transformada na residência de Pablo, o primo traficante de João do Santo Cristo, por exemplo. Os donos do imóvel se mudarão para um hotel nos dias da filmagem. Já cenas da Ceilândia dos anos 1970 serão rodadas em ruas de terra de um bairro do Entorno. O Lote 14, onde ocorre o duelo final entre os protagonistas será uma pequena cidade cenográfica.

Todo esse trabalho une nomes experientes do cinema nacional com novatos. Enquanto Bianca De Felippes tem no currículo filmes como Carlota Joaquina, que marcou a nova fase do cinema nacional, o diretor René Sampaio faz sua estreia à frente de um longa-metragem. “Vamos tentar ser muito fiel à história da música, mas não estamos fazendo um documentário, até porque a letra do Renato (Russo) deixa grande margem para criação”, comenta René, brasiliense que, como fã incondicional da Legião Urbana, sempre sonhou em levar para a tela grande a canção do ídolo.

No projeto de René, também há gente ainda mais inexperiente nesse universo, mas trabalha com afinco na produção do filme. São alunos do curso de cinema do Iesb, como Natália Gloss, 25 anos, que abraça a oportunidade. “Quando fazemos um curta na faculdade, tudo é tão pequeno diante do que tenho vivido aqui”, observa a jovem, que faz estágio como assistente de arte em Faroeste Caboclo.

Tragédia brasileira

Escrita por Renato Russo em 1978, Faroeste Caboclo conta, em 159 versos, as desventuras de João de Santo Cristo, o “bandido destemido e temido no Distrito Federal”, desde o nascimento numa fazenda no interior da Bahia, à sua morte, num duelo com o traficante Jeremias, em Ceilândia. A letra virou febre nacional após ser gravada e lançada pela Legião Urbana em 1987, por meio do disco Que país é este?, o terceiro da banda. A música tem mais de nove minutos de duração.

Produção conjunta

Faroeste Caboclo será o primeiro longa de René Sampaio e o trabalho de estreia da Gávea Filmes, de Bianca De Felippes. Ela é ex-sócia de Carla Camurati na Copacabana Filmes, que abrigou o projeto inicialmente. A Gávea Filmes (RJ) divide a produção do longa baseado na canção de Renato Russo com a República Pureza (RJ) e a Fogo Cerrado Filmes (DF).

Fonte: Correio Braziliense

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