Cerrado sem Serra

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Certa vez tomei um chá

Numa tribo da Chapada

E posso até tá enganada

Mas não era mate não

Pois sentada ali, de cuia na mão

Vi que é normal falar com planta

Ela te responder, não

Era uma linda Caliandra

Rubra contadora de histórias

Que me falou sussurrando

Algumas de suas memórias

Como a serra que serrou o Cerrado

E tirou sarro de sua seca

Amputou seus verdes braços

E plantou membros de concreto

Brotaram cidades de traços

Matando nascentes no projeto

É casa de oito estados e três poderes

Que por não ser o bioma da moda

Ganhou zero em preservação

Se a Amazônia é o pulmão do Brasil

O Cerrado é o coração.

 

Marina Mara

 

*Eis na foto de Rafael Ohana um dos caras da tal tribo e a Caliandra falando em minha lapela, próxima ao coração.

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RSS dos comentários TrackBack 5 comentários

Clara

em 5 de julho de 2010

Estou arrepiada com esse poema Marina. Nosso Cerrado precisa de ajuda! Parabéns pela sensibilidade e pelo espírito de sustentabilidade.

SALVEM O CERRADO!!!!!!!! PASSEM ESSE POEMA PARA SUAS LISTAS!


Luiz Felipe Vitelli

em 6 de julho de 2010

Parabéns por essa perola que é Marina Marinha Mara do cerrado!
De fato e até GEOGRAFICAMENTE o CERRADO é o coração, preste a entrar em colapso por tanta estupidez de alguns humanos diminutos,mas prerigossimos em suas ações e ganancia desmedidas, mas na grandeza de muitos outros HUMANOS, COMO VOCE, MARINA, e nós na II Conferencia nacional de cultura, em um encaminhamento de nós Delegados – DF na inter- regional – Sobradinho-Planaltina, que aprovada na NACIONAL (175). O BIOMA DO CERRADO DEVE COMO OS OUTROS, SER TAMBÉM PROTEGIDO! A Grande Midia fala dos sem terras , mas não fala dos latifundiários que invadem APA’S para suas monoculturas, para alimentar vacas alheias! Marina ,parabéns por esse belo poema, onde ganhei o DIA! CERRADO SEM SERRAS , CONSERVADO E PROTEGIDO POR TODOS!!!


mmara

em 6 de julho de 2010

Salve Líricoativista!
Pois é, o nosso Cerrado fica bem no coração do país, no meiozinho, batendo meio fraco no fundo do peito, sendo palco do “desenvolvimento” mais desenfreado da história e na cara de todos. É uma pena para nós, os calangos, vermos nossa casa sendo destruída dessa maneira.
Vamos ajudar o nosso Cerrado e cada um luta com a arma que tem…eu tenho a Poesia, além de um peito cheio de coragem e amor por isso aqui.

Bj nesse povo de Planaltina e arredores e parabéns pelas ecoluta.
MM


Carlos Braga

em 6 de julho de 2010

Uau. Bravo. Estou programando um evento cultural para preservação do nosso Cerrado e gostaria de tê-la se apresentando. Ou o apresentando, se aceitar. Te farei contato.

Belo poema. Bela poesia.


Gilberto Fernandes Teixeira

em 18 de abril de 2011

“Lindo poema Marina Mara, mas as motosserras continuam trabalhando transformando nosso cerrado em carvão, até quando o Norte de Minas vai aguentar tal devastação? É preciso que se tome uma atitude urgente, queremos reflorestamento com árvores nativas e não com eucaliptos como querem os empressários, ou em breve tudo isso pode virar um grande deserto.