Commedia all’italiana na Caixa Cultural
A mostra de cinema Commedia all’italiana foi selecionada através do “Edital de Ocupação dos Espaços da CAIXA Cultural”, realizado uma vez por ano para receber projetos que serão exibidos nas cinco capitais, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, onde a Caixa detém espaços próprios de cultura.
Commedia all’Italiana apresenta ao público uma seleção de grandes filmes deste gênero cinematográfico que teve seu auge entre as décadas de 1950 e 1970. Tão popular e peculiar, a commedia all’italiana é considerada fundamental pela crítica, tanto pela consolidação da comédia de costumes no panorama cultural cinematográfico quanto por sua atualidade e suas influências no Brasil e no mundo.
Celebrando o Momento Itália-Brasil, a CAIXA, uma das empresas que mais investem e apóiam a cultura em nosso país, aproxima e aprofunda ainda mais as relações culturais que nos unem, ao mesmo tempo em que reafirma sua vocação social e sua disposição em democratizar o acesso à produção artística.
Commedia all’italiana na Caixa Cultural
A commedia all’italiana não é um produto de 1958 ou do nosso cinema ou de um indivíduo concreto. A commedia all’italiana existe desde sempre na Itália. É a condição a partir da qual podemos apresentar nosso lado da verdade, a nossa sociedade, os nossos desejos, desesperos, com todas as cores que misturam o cômico e a farsa, a miséria, a morte e a doença. (Mario Monicelli, em entrevista concedida em 2008)
O ano de 1958 na Itália é marcado por dois dados diferentes. Em primeiro lugar, representa um momento em que a república italiana passa por um chamado “milagre econômico”. Em segunda instância, é o ano de lançamento do filme “Os eternos desconhecidos” (”I soliti ignoti”), dirigido por Mario Monicelli e considerado por alguns críticos como o primeiro grande filme deste gênero cinematográfico batizado por “commedia all’italiana”.
Como o próprio diretor afirma, certa vertente cômica vista no cinema italiano de meados do século XX não se trata de algo propriamente inovador, mas muito bem fundamentado nas tradições literárias e teatrais dadas na Itália e que perpassam Boccaccio e a commedia dell’arte. Por outro lado, o que temos de diferencial neste momento é a representação da sociedade italiana em relação a esta aparente prosperidade econômica pela qual passava. As bicicletas dão lugar às lambretas que, por sua vez, dividirão espaço com os novos automóveis. Os destinos e trajetos são os mais variados e a mesma boca que ri é aquela que pode vir a chorar; a comédia pode rapidamente ganhar um toque de tragédia, mas nunca deixa a acidez e ironia de lado.
Esta mostra de cinema oferece ao público um recorte cronológico dentro deste modo de se fazer cinema. Foram selecionados filmes produzidos entre as décadas de 1950 e 1970, com a intenção de que o espectador possa ter perante seus olhos um leque amplo de opções estéticas e problemáticas sociais encontradas nos dezenove filmes que serão projetados.
Panorama diverso, mas que contém nomes constantes nas assinaturas dos filmes, os chamados “mestres da comédia italiana”: Mario Monicelli, Dino Risi, Pietro Germi, Ettore Scola, Lina Wertmüller e Luigi Comencini, assim como nomes menos conhecidos do público brasileiro como Alessandro Blasetti, Antonio Pietrangeli, Franco Brusati e Gian Luigi Polidoro. Tão importantes quanto os diretores e a colorir das mais diversas formas seus personagens, não podemos nos esquecer de atores como Vittorio Gassman, Nino Manfredi, Monica Vitti, Stefania Sandrelli, Alberto Sordi, Ugo Tognazzi, Giancarlo Giannini, Gina Lollobrigida, Sophia Loren, e, claro, Marcello Mastroianni.
Esperamos que a exibição pública e gratuita destes filmes, além do curso e debate oferecidos, faça com que gerações mais experientes os apreciem com os olhos da nostalgia e da revisão. Enquanto isso, torcemos para que os mais jovens possam tomar conhecimento e nota acerca de uma cinematografia um tanto quanto obscurecida por outros momentos da história da recepção do cinema italiano no Brasil.



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