Como escrever poemas

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Escrever um bom poema

É como fazer uma tatuagem

 Dói e é pra sempre.

 

 

 

 

 

 

Antes de qualquer coisa, entendamos o papel da Poesia, do poema e do poeta. Diferentemente do que muitos acreditam, Poesia e poema não são palavras sinônimas. A Poesia não precisa de grafia para existir, ela pode estar em um raio de sol, em um gesto ou até mesmo em fatos inusitados do dia a dia, que, pelas mãos (e olhos) dos poetas, se transformam em poemas.

Certa vez, durante uma entrevista ao vivo em uma rádio sobre o lançamento do livro Sarau Sanitário.com, me foi perguntado:

- Jornalista: “Quais os poetas que mais te influenciam e inspiram?”

- Marina Mara: Jimi Hendrix, Glauber Rocha e Frida Khalo.

Vi que a moça ficou indisfarçavelmente decepcionada com a minha resposta e logo tentou engatar outro assunto. Como jornalista-macaca-velha que sou, dei uma espiada de rabo de olho no script dela para ver se descobria o motivo do descontentamento da moça. Lá havia uma lista com “ganchos inteligentes” sobre Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar e um outro nome que não consegui ler. Ah… agora entendi, pensei. Acabei não dando pano pra manga jornalística da moça. E novamente pensei curiosa: “… será que ela acha que Clarice era poeta?”

O mal-entendido da entrevista mostra que, no senso comum, poetas se inspiram somente em outros poetas. O que não seria interessante, pois os poemas deles já são a transcrição de uma poesia que a eles se mostrou. É como versão de música famosa, que, por melhor que seja, sempre fica um quê meio fake. Confesso não ser uma exímia leitora de poemas. Gosto mais de escrevê-los. Portanto, estimule a sua inspiração assistindo bons filmes, ouvindo boa música, lendo bons livros, pesquisando sites interessantes e principalmente – conversando com todo tipo de gente e não duvide, quanto mais diferentes de você, mais rica a fonte de informações inspiradoras.

A grande função do poeta é passar a mensagem aos reles mortais em forma de poema, para que também desfrutem dessa boniteza, certo? Então por que muitos poetas embolam o meio de campo colocando entre a Poesia e o leitor termos e temas que parecem estar jogando contra a Poesia, impedindo um belo gol de compreensão?

Claro que poema também é importante para aprimoramento de vocabulário e fonte de conhecimento, mas usar as linhas dos poemas somente para enaltecer a indefectível e inalcançável perspicácia intelectual do poeta fará com que brote um muro entre essa Poesia e a maioria dos leitores. Muitas vezes só queremos ler um poema para descontrair, assim como fazemos com uma música ou um filme após um dia duro de trabalho.

 A Poesia genuína é simples ou é impossível. Explicar o poema após a declamação é como explicar a piada após seu término, perde a graça. Então, poeta, não corra esse risco. Tenha a humildade de entender seu papel de alquimista que vê a poesia como um direito de todos, mas sua missão.

Outra questão é a algema que muitos poetas têm com escolas literárias e poetas consagrados de outrora. Eles são grandes porque deixaram fluir seus estilos, seja contradizendo ou flertando com as “regras” de construção poética já existentes. Solte a mão, solte a língua. Use – mas não abuse – da licença poética. Tudo em excesso enjoa. Como costumo dizer quando estou para errar a mão em um poema: “Sem chantilly Marina Mara, sem chantilly”.

Meu conselho para que seu poema seja cada vez mais fiel à sua Poesia, fazendo-a chegar sã e salva às outras pessoas é que ele, primordialmente, seja verdadeiro e genuíno. Depois de sentir essa poesia doidinha pra arrebentar sua bolsa lírica e ser parida por você é hora de escrever. Mas como começar? Primeiramente, opte por palavras e termos de fácil compreensão, mesmo que essas sejam inventadas, como “Caetanear” ou “fui fast e me food”. Depois de selecionar algumas palavras para o esboço de seu poema, corte aquelas que dão nó tímpano, optando pelas que descem redondo como música boa.

Após cuidar da coerência, da compreensão e da sonoridade de seu texto, chegou a hora da cerejinha do bolo, do grand finale. Um bom poema é como uma boa história, tem que ter o ritmo certo para prender a atenção. Então, feche seu poema de forma interessante e espirituosa – afinal, ninguém gosta de chatices e mesmices, concorda? Faça valer à pena a atenção dispensada a você.

E finalmente, tenha como crivo primordial a sua sincera e humilde opinião. Leia o seu poema como se fosse de um poeta desconhecido, se ele te agradar, mesmo não se parecendo com o que te disseram ser o certo, relaxa, é só seu estilo querendo falar.

 

Por Marina Mara em 02 de fevereiro de 2012

 

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RSS dos comentários TrackBack 4 comentários

CRIS

em 15 de março de 2012

Oi! Marina Mara

Você não sabe como me foi útil e esclarecedor ler o seu texto explicativo de como divulgar poesia. Costumo dizer que sou poetisa amadora, a um ano divulgo meus escritos em um site, embora sempre aberta a críticas, graças a Deus sempre foram bem aceitos.
Acredito na linguagem simples de fácil entendimento,pois meu objetivo é falar ao coração, fazer com que as pessoas se identifiquem com que escrevo e não tenha que usar um dicionário para tradução, até então tem dado certo.Não sou repetitiva,mas temo cair na mesmice, ser criticada pela minha simplicidade nas palavras.
Mas você me ajudou muito.Obrigada


Marina Mara

em 16 de março de 2012

Poxa Cris, que massa saber disso, de verdade. É sinal q não penso Poesia acessível sozinha. Não se preocupe com críticas – se forem pertinentes, acate, se não forem, agradeça e pronto. Deixe passar batido – não dê Ibope energético. O maior crítico de sua obra é vc mesmo….então, se esforce para agradar a sua verdade, “o resto é perfumaria”.

Boa sorte colega poeta!

MM


Glória Braga Horta

em 25 de março de 2012

Marina, achei seu texto genial!


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