A estreia da estria

Poucos anos atrás ninguém sabia o que era estria, celulite e nem que o eufemismo de ruga era marca de expressão. Isso até a indústria de massa fabricar complexos em relação aos nossos cabelos, nossos seios, nossa cara; para então nos vender algum tipo de reparador para as “imperfeições”.

É mais ou menos assim: a indústria-de-cosméticos-cheia- da-grana descobriu uma fórmula para amenizar umas tais estrias que até então eram só marquinhas de crescimento. Aí a mídia, combinadinha com a tal indústria, bombardeou as estrias na TV, nas revistas e até mandinga para tirar do seu corpo as coitadinhas já ouvi dizer que tem, como se elas fossem o próprio coisa-ruim. Pronto. Agora várias mulheres, felizes consigo até então, já têm a quem rejeitar. A si mesmas. Sentimento esse que as levou às casas de cosméticos em busca de autoaceitação.

É lindo se cuidar, se amar. Minha birra é contra um só padrão imposto a todas as mulheres sendo que cada mulher é única. Cada mulher tem sua beleza. Tem seu encanto genuíno. Estaremos sempre lindas enquanto vestirmos nossa autoestima, afinal, é a moda que deve se adaptar a nosso estilo de vida e não nós ao dela. Caso contrário, faremos parte de um exército de mulheres igualmente infelizes e alheias à própria beleza.

Quem é esse ditador que usa o codinome moda? Imagine só seu carrasco-estilístico lendo o veredito: “A ré foi acusada de usar bordô na estação do magenta e por isso a declaro cafona”. E tchan! Num asse de mágica você se transforma em uma cafona de bordô, carregando um rótulo dado por… quem mesmo? E quanto à verdadeira beleza: também somos lindas levando as crianças ao colégio, amamentando, virando noites sobre apostilas e livros, resolvendo problemas do trabalho enquanto pensamos em como resolver os de casa. E para quem disser o contrário, reúna todo o poder de sua TPM na potência máxima, olhe para a pessoa e diga na fé ou no olhar: eu sou linda (e seja). Quem seria louco de discordar?

Há algumas dicas de como fugir dessa ditadura. A primeira é para quando você estiver comprando roupas, seja na loja, na feira ou no camelô. Fique atenta: se a vendedora chamar uma calça ou uma blusa de Helena, por exemplo, fuja. A imposição é tão explícita que inclusive colocam o nome da mocinha-das-oito nos modelitos produzidos aos milhares. A segunda e mais importante dica é ter senso crítico. Se cabelos loiros, saias curtas, decotes ou chapéus estão novamente à disposição nas vitrines, use o que combinar com você e não com a gata-photoshop-da-vez. E um toque: só se destaca quem é diferente, então seja você, seja única.

É cacheada? Hidrate e assuma seus cachos. Tem uma cicatriz? De cara uma boa história para contar. É branquinha? Use vermelho. Quer mudar a cor, a cara? Mude, tatue, pinte e borde, desde que isso a faça parecer cada vez mais com você mesma.