Aquele feriado

 

Eles eram do tipo que pula ondas até perder a conta ou o fôlego de tanto rir. Em casa, enquanto ela fazia uma escultura com os livros, ele descobria novos sons fuçando velhos discos de vinil, arriscando alguns acordes em seu velho violão. Assunto nunca faltava, mas o silêncio entre eles era sagrado, afinal, sempre tinham uma conversa aqui outra ali para terminar com algum livro.

Ao cair da tarde, sentados sob uma toalha rústica na varanda e observando a psicodelia das nuvens, degustavam novos sabores versados na cozinha – temperados com ervas e vinho tinto. Contemplaram o céu até aparecer a primeira estrela, que lembrava aquele filme… filme! Mais vinho. Mais cenas, mais perto, mais pele, menos filme, menos roupa.

Ele: Tem fogo?

tén-tén-tén-tén (isso é um despertador, acredite)

zzzz

tén-tén-tén-tén (função soneca)

Ela: Uhm… que sonho gostoso, deu até vontade de me apaixonar.

A bela moça de calcinha branca e havaianas laranja se espreguiça ao se levantar de sua cama de solteiro. Enquanto faz um longo xixi, ainda de olhos fechados pelo sono, sorri por mais uma vez não se lembrar da cara dele no sonho. Mas a graça estava aí, no não saber para não estragar a surpresa quando o amor chegar.