E se Dylan não tivesse um para os quatro Beatles darem um dois?

No dia em que Bob Dylan apresentou maconha aos Beatles ajudava, sem saber, a salvar parte da humanidade por meio da música. É assim que está na história. Afinal, baseado naquele encontro de 1964 deu-se início à caminhada de autoconhecimento e experimentações que desembocou no disco-marco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

E se Bob Dylan não tivesse um para os quatro darem um dois? A história musical pós-sobreposição de oito canais e psicodelia do Sgt. Pepper´s que se tornou referência para muitas expressões artísticas teria vindo de outro álbum? Na mesma época, Frank Zappa, Hendrix, Velvet Underground, Pink Floyd e Janis Joplin também faziam intressantes experimentações musicais, mas sem dúvida o album do Sargento Pimenta foi o grande marco da época. Porém, há uma parte da história que muitos não sabem. De quem era esse tal fumo? Quem salvou os Beatles?

No ano de 1964, em Nova York, o jornalista Al Aronowitz apresentou os quatro rapazes de Liverpool ao futuro-ex-cantor-de-Folk Bob Dylan. Foi um encontro divertido. Ringo, como sempre, hilário. Paul estava meio preocupado com o cheiro de maconha que vinha da mesa ao lado. George e Lennon logo se sentaram e pediram bebidas. A fumaça vinha do cachimbo de uma bela mulher chamada Flora. Que em pouco tempo estava sentada à mesa com os músicos, a convite de seu velho amigo Dylan, contando histórias sobre seu cachimbo xamânico. Flora dizia que um xamã havia embebido a madeira em chá sagrado feito de cipó e raiz. E quem fumasse daquele cachimbo teria uma viagem de autoconhecimento conduzida por Gaya.

Todos fumaram.

Enquanto o cachimbo passava de mão em mão. Dylan dedilhava e improvisava ao violão sobre algumas palavras de Flora. Cada um improvisou com percussão em objetos, solfejos, chocalhos de paliteiros – e silêncios. Havia algo intenso fluindo ali. Flora, que morava em uma aldeia Cherokee há alguns meses, convidou o quinteto musical à mesa para fazer uma visita. O sim veio em uníssono.

Flora desenvolvia um importante trabalho de preservação do patrimônio imaterial daquele povo. Especializou-se em Plantas de Poder e estava transformando esse conhecimento em tese de doutorado. Ela era querida pela aldeia, que recebeu Ringo, George, Paul, Lennon e Dylan com o mesmo acolhimento. O xamã convidou os músicos para beber o chá sagrado ao primeiro pôr-do-sol. Era uma celebração à Pacha Mamma, a Mãe Terra. Após o chá, acendeu-se uma fogueira na qual cada um colocou um pedaço de madeira à qual se depositava seus fantasmas, medos. Chocalhos novamente invadiram a atmosfera do local. E também os tambores. As vozes. Ao cair da noite, todos estavam dançando seminus, como os índios e com os índios. Era uma catarse, uma verdadeira fogueira das vaidades.

Todos estavam com a percepção tão aguçada que um a um buscou seu instrumento. Somou-se folk and roll ao batuque xamânico e Flora obteve mais ou menos quatro horas de filme com um bom áudio para sua pesquisa. Como se trata de um rito sagrado, Flora nunca divulgou o material. E nem vai. Reza a lenda que foi feita uma única exibição do material já editado na qual tinha na plateia os cinco músicos, Flora e o seu fornecedor de plantas de poder que preferiu não revelar sua identidade, mas revelou que muitas das músicas do Sgt. Peppers nasceram ali, ao pé da fogueira e de pé no chão.