Você já escreveu sobre a sua genitália hoje?

 

Tenho vontade de escrever sobre a minha buceta. Acredito que escrever naturalmente sobre a própria genitália seja sinal de que a arte transpôs pudores sociais que prestam um enorme desserviço ao nosso ser artístico e ao nosso autoconhecimento. Qual o problema em falar sobre isso ou sobre aquilo? As “coisas” estão aí no olho de todo mundo. Mas o problema não é a coisa, mas o olho. Qual o fundamento lógico de rotular algo como bom ou ruim se isso depende da vivência e percepção de cada um?

Mas eu ainda quero escrever sobre a minha buceta. E chamando assim mesmo ou do jeito que eu quiser e não como hipocritamente julgam apropriado – e sem diminutivos ou zooapelidos. Talvez seja um queimar de sutiã literário

contemporâneo em protesto aos julgamentos. Contra os eufemismos que funcionam como um telefone-sem-fio, tirando a essência da mensagem. E esse é um bom exemplo, falar da vagina e da buceta. Pense na buceta. Agora pense na vagina. Viu como são duas personagens diferentes? A primeira é meio Leila Diniz e escuta roquenrou. Já a segunda passa a impressão de estar aguardando a vez na clínica ginecológica. Notou o desserviço literário em generalizar e dar nomes bonitinhos?

Vamos participar de uma catarse contra os panos quentes da hipocrisia? Gritemos em uníssono: BUCETA! Até que tabus não choquem mais e que flua como normal e leve o que é natural. Gritemos até que a feiúra dos olhos não mais contamine a essência das coisas.

Se você se sentiu tentada a fazer parte desse movimento libertário mas não se sente confortável em sair por aí gritando, sem problema. Você pode dar esse grito usando a roupa que te deixa confortável, com a sua cara e não com a da mocinha fabricada da novela das oito. Gritar é assumir suas mazelas, porém, tratando-as com respeito e amor de mãe. Grite sendo você, grite sendo feliz. Grite Toca Raul!