Camarim


Soprando beijos nos ouvidos
De tão suaves fazem arrepiar
Fechados olhos, abertos sentidos
É a Flauta lançando doçura no ar
O Baixo suinga seu poder de sedução
Em sua gravidade envolvente
Com toda calma e precisão
Aflora o devaneio latente
Instigando a sensualidade
A Gaita tira o juízo da gente
Rebola na boca sua musicalidade
Levando o gosto da pele à mente
Os quadris imitam o compasso
Ritmado pelo coração
O palpitar aumenta ao passo
Que a Bateria evolui na percussão
Geme a Guitarra no dedilhar
Escalando com corda e braço
O ápice na precisão do tocar
Cega a noção de tempo e espaço
O suor rega a essência das almas
Fechando mais um ciclo da natureza
O espetáculo brindado com palmas
Fundiu excitação, melodia e sutileza.