Sacola de sonhos

Esta manhã despertei
Com um beijo na testa
E o raiar de um sorriso
Tão solar quanto íntimo
A menina de olhos e cachos
Cor de mel trazia consigo
Uma sacola com sonhos
Esquecidos e fotografias
Ela pegou minha mão
E me levou até meu quintal
Da infância em Taguatinga
A trilha para o telhado
Era tão familiar quanto
O caderno avermelhado
De poeira do cerrado
No qual escrevia a lápis
Os meus primeiros versos
Aquele telhado frágil
Foi meu universo um dia
Tudo era céu e sonho
Com asas de poesia
E todo o meu tesouro
Se resumia ao que
Lá eu escrevia
Assim como o sabiá
A menina sumiu no
Farfalhar do abacateiro
Deixando para mim a sua
Sacola de sonhos esquecidos
E fotografias revelando aquela
Que não tive mais tempo de ser
Aquela menina sou eu em mim
Sem ilusões e muitos sonhos
Sem pretensões e dias risonhos
Dias solitários sem doer
Assistindo as nuvens no céu
Cercada por seu tesouro
Um lápis e um papel